Amar é regar as flores, acolher as dores, os dissabores e equívocos de dias de semana modorrentos. É desembrulhar pacotes de solidão dos quais acreditamos gostar até encontrarmos a tampa da panela, mais ou menos tortinha como a gente, ou nem. Amar é doce e salgado, é um mar de possibilidades, é doar-se, por inteiro, doendo, por vezes, mais do que acreditamos suportar, mas o fazemos porque o amar vai além de duas vogais e de duas consoantes, vai além de mar e ar juntos. Amar é lua, sol e todos os movimentos mais belos de cada um. É mistura, é uma simplicidade complexa e uma complexidade simples, é música... Instrumentos, violão, viola, voz, tecla, teclado, piano. É suportar, ceder, oferecer, tomar e receber. É ensaiar algo que não se vê e se deseja, é valorizar o que se tem. É uma recordação num momento inesperado, é inspiração, é o belo e o incômodo. Amar é escrever, sentir, tocar em seus diversos aspectos, entoar. Amar é ver-se livre quando, de certo modo, atrelado ou um tanto quanto preso, embora livre. Amar é respeitar, chorar e sorrir para a primavera que se inicia. Amar é movimentar-se em direção ao que há lindo na natureza. É admirar a imperfeição alheia. Amar é criar, recriar e escolher. Pois há de se abdicar para ter amor e amar. É uma escolha difícil, posto que o amor, ao mesmo tempo que coroa, crucifica. Amor é letra, canção, amizade e desejo, zelo, é quando o “bem-me-quer” prevalece, entre o sim, o não e o talvez. Amar é reconhecer-se como ser humano em busca de algo maior, além de si, capaz de doar-se, apesar de imperfeito, querer entrar em sintonia, mesmo com diferenças. O amor é isso, é mesmo uma escolha, uma arte e, além de tudo, uma escolha para os fortes, para aqueles que escolhem o amor, apesar de todos os riscos do processo."[...] e, sob um ímpeto irresistível, expusera seus sentimentos em um pedaço de papel [...]". Em um bloco de notas, em uma máquina de escrever alemã ou diretamente nas ferramentas modernoLógicas do tal do computador.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
AmArte: o amor como escolha
Amar é regar as flores, acolher as dores, os dissabores e equívocos de dias de semana modorrentos. É desembrulhar pacotes de solidão dos quais acreditamos gostar até encontrarmos a tampa da panela, mais ou menos tortinha como a gente, ou nem. Amar é doce e salgado, é um mar de possibilidades, é doar-se, por inteiro, doendo, por vezes, mais do que acreditamos suportar, mas o fazemos porque o amar vai além de duas vogais e de duas consoantes, vai além de mar e ar juntos. Amar é lua, sol e todos os movimentos mais belos de cada um. É mistura, é uma simplicidade complexa e uma complexidade simples, é música... Instrumentos, violão, viola, voz, tecla, teclado, piano. É suportar, ceder, oferecer, tomar e receber. É ensaiar algo que não se vê e se deseja, é valorizar o que se tem. É uma recordação num momento inesperado, é inspiração, é o belo e o incômodo. Amar é escrever, sentir, tocar em seus diversos aspectos, entoar. Amar é ver-se livre quando, de certo modo, atrelado ou um tanto quanto preso, embora livre. Amar é respeitar, chorar e sorrir para a primavera que se inicia. Amar é movimentar-se em direção ao que há lindo na natureza. É admirar a imperfeição alheia. Amar é criar, recriar e escolher. Pois há de se abdicar para ter amor e amar. É uma escolha difícil, posto que o amor, ao mesmo tempo que coroa, crucifica. Amor é letra, canção, amizade e desejo, zelo, é quando o “bem-me-quer” prevalece, entre o sim, o não e o talvez. Amar é reconhecer-se como ser humano em busca de algo maior, além de si, capaz de doar-se, apesar de imperfeito, querer entrar em sintonia, mesmo com diferenças. O amor é isso, é mesmo uma escolha, uma arte e, além de tudo, uma escolha para os fortes, para aqueles que escolhem o amor, apesar de todos os riscos do processo.domingo, 13 de setembro de 2015
Nada mais justo
Certo dia, ela lera que “escrever
é mais barato que tomar remédio”, pois amém! Nada mais justo que sua vontade de não descongelar congelados alheios, alimentar a alma de palavras, fazer delas um
recanto de sentimentos presentes. Naquele dia, a alma dela se silenciara,
inundada de palavras mudas e absurdas, mas que faziam cada vez mais sentido e um
certo abrigo para não receber as entrelinhas de outra história qualquer, mas
daquela escolhida.
Certo dia, ela sentira que não
somente o sono aliviava as dores do coração, mas o canto, a dança, um encontro
consigo própria e todo o encanto do cotidiano, da rotina. Sim, até com a rotina
aprendera a importância do acaso, da imprevisibilidade, de algo que confronta o
óbvio e conforta a monotonia de uma terça-feira modorrenta ou até de um domingo
insosso. Nada mais justo do que uma sexta-feira ou do que um sábado, daqueles
que todo mundo espera alguma coisa à noite. Nada mais justo do que dançar a
noite toda. Nada mais justo do que amigos em casa e jogos de tabuleiro. Nada
mais justo do que a música e o instrumento da preferência de cada um. Nada mais
justo do que toda uma orquestra a tocar por aí ou em uma película, com ou sem
tradução.
Nada mais justo do que o
conforto, do que a cama, a calma, a acolhida, o abrigo, do que não olhar
somente o próprio umbigo. Nada mais justo do que reconhecer que nem sempre a
justiça opera, pelo contrário. Nada mais justo do que alimentar a si e ao
outro, do que recriar a alma em palavras, blocos de parágrafos, escritos,
espaços, espelhos, notas. Alimentar o que há de belo entre os homens, seja
silêncio ou som, seja a escolha entre isto ou aquilo. Seja perder algo para
ganhar além. Seja alimenta-se da pureza de uma criança, seja amor, alma,
comida, contos, canções ou trechos. Nada mais justo do que um vinil e um vinho.
Um amigo e um livro. Uma caixa ou além, um punhadão de memórias. Nada mais
justo do que embriagar-se com Billy Idol “dancing with myself”; nada mais justo
que escutar Oasis, um “live forever” que se desconhece, mas que é eterno
enquanto dura. Nada mais justo que cantar Marisa no chuveiro, ou Tribalistas, e
fazer da rotina do banho algo além. Nada mais justo que apreciar, inclusive, a
tal da rotina, com música ou com muita, muita mesmo.
Certo dia, ela lera, relera,
relatara, sentira, atentando-se para o mais simples do que há em cada gesto e
sinal da natureza. Certo dia, ela escolhera escolher. Dia após dia, hora após
hora e a cada segundo, como se não fosse quase, nem tanto, nem tão pouco, nem
tão muito, mas o suficiente para si. Naquele exato dia, ela descobrira um mundo
novo, que desvendaria aos poucos. Porque nada mais justo do que o que sentia.
Porque a justiça nem sempre ultrapassa ideias ou papéis. Porque “justo” tem
cinco letras e sentidos diferentes. Porque “justo” nem tem sempre tanta
igualdade, pelo contrário. Porque, apesar de tudo isso, a justiça tem um quê de
bela para cada um, ela só precisa ser feita. E, justiça seja feita, não ocorre
sem um punhado de amor nos corações.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
SorVerter
Só
Verter
Sorvete
De morango
Derreter
Canela, maça e alma.
Ter e ReTer
A calma.
Alma Adocicada Aprecia Amar.
Transborda
Sorvete, até de limão.
Sorveter
Converter
Sonhos e goiabada;
Goiabada, amor e dança;
Paçoca, piano, lembrança;
Pipoca, Guaraná, infância.
Distrair-se com Cora, Clara e Coração;
Dividir-se em botão e teclas;
Divertir-se...
Aqui e agora.Ps.: "Já que eu não te tenho por perto eu vou tomar um sorvete". <3
terça-feira, 4 de agosto de 2015
A casa da caixa de correio
A casa dela falava... Falava dos muros ao
lado, dos preconceitos, do pousar e repousar dos passarinhos, do pouso dos
aviões, das gaiolas alheias, dos conceitos. A casa dela falava... Tratava-se do
chão, do colchão, do andar de baixo, dos lares, dos laços, das novidades, das
realidades tranquilas e amenas ou nem. A casa era engraçada, mas tinha teto e
outros tantos.
Tinha parede, relógio, quadros, mais
relógios e uma vontade de congelar o tempo, por vezes. A casa dela tinha
cozinha, máquina de lavar, de escrever, de congelar tempo, geladeira,
batedeira, misteira, mistura e congelados. A casa dela tinha também às vezes fome,
forma, a repetida vontade que não passava e os congelados que permaneciam. A
casa dela tinha pães, chás e desejos; tinha vontade de receber um pão quentinho
de alguém especial com uma pitada de geleia de amora ou morango. A casa dela
era a sala; os quartos; a cozinha com os congelados; a varanda com a grama
sintética; as plantas da varanda com a grama sintética; as pessoas que
frequentavam a casa; as pessoas que poderiam frequentá-la; era amor em Si bemol
ou em Lá sustenido.
A casa dela era dela e ela. Era ela Lá de cima; era um lar
em sua complexidade, com seus muros, construções, cômodos, incômodos, portas, prós
e contras. A casa dela era dela e dela eram o conforto e a solidão. A casa dela
era a falta da família abrigada: nem pais, nem filhos, mas paz, porta-retratos,
livros, relicários, retratos tão pequenos deles dois, deles três, deles, delas...
Mais portas, notas e porta-retratos com fotografias em preto e branco, painéis,
cartas, anéis, coleções, telefonemas, recordações, pulseiras, sapateira,
cadeira, canecas, xícaras, sofá, Sol e Fá do teclado dela, a falta de alguns
itens de um novo lar, o Lá do violão a comprar, cartões postais, chocolates,
papéis, novos laços e anéis, chás, partituras, calendários e um mundo a ser decifrado. A casa dela era um lar, era dela e lá na montanha não permanecia.
Tinha os sons típicos de uma amena realidade, nem sempre amena, embora, ao
menos, distante do que já havia sido um dia.
A casa dela era engraçada, mas tinha teto
e outros tantos. Não era na montanha, nem na fazenda, nem tinha arara, aranha,
nem teia, mas telas de pintores diversos. A casa dela era engraçada e na praia:
arraia, sol, verão, o mar e a lua a ditar alguns ritmos e rituais. Na casa dela
havia um clima, nem sempre florido como o da primavera, nem sempre congelante
como o do inverno. Haviam juntos: a casa, ela, o clima dela e o da casa. E juntos
caminhavam diariamente com as cores de Almodóvar, de Woody Allen, de Adriana
Calcanhoto, de Marisa Monte, de Frida Kahlo, de Miró, de Degas, de Debussy, de
Monet e de outros tantos. E haviam, além da casa, a vida, a estrada, a avenida.
Ou a ruela da casa dela. Havia a maquininha de escrever ou o computador. O
caminho e toda a caminhada. Da vida para a casa, da casa para uma vida que ia
passando com o passar dos passarinhos e das canções.
Mas o que mais importava daquele pequeno
tudo aquilo, que tinha teto e outros tantos, era que havia na casa engraçada
uma caixa de correio igualmente engraçada... Sem nada. Não conseguiam lê-la
não, porque não havia na caixinha um borrão. Não conseguiam deixar carta
ali, porque o número estava por vir. Ninguém podia enviar nada não, porque ela era
do tamanho de um grão. Era pequena, mas tinha amor e, sobre ela, uma flor.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
De chá em chá, de toda poesia que há...
É também a camomila dele que pode provocar mudança no estado
de espírito em um fim de semana que se planeja viajar para lugares x, y ou z e
mal se sai do bairro onde mora ou do quarteirão. São as frutas silvestres dele
que deixam vivos alguns sentimentos e é a maçã com canela também dele que pode
confortar ao máximo a angústia de se perceber impotente diante de determinados
fatos. É ele, o famoso chá; o simples ato de ferver o caneco; encher a caneca
de canela, de frutas, sentimentos e outros tantos; de ir para a varanda sem saber o porquê e sentar no tapete ou
na grama sintética. Sem motivo também, esparramar-se na grama da varanda, juntamente com cactos e outras plantas
que ajudam a vida dos reles humanos.
De chá em chá, construímos laços, lares, luaus e pontes. De chá em chá, tomamo-nos
para nós mesmos, tomamos nossos sonhos, bebemos nossos mistérios, aceitamos
alguns passados, tornamo-nos a mudança que desejamos ver no mundo e construímos,
independentemente do sabor, ou dissabor, um mundo melhor. E nessa de beber nossos mistérios
e sonhos, colocamos a água do caneco na caneca com canela, partimos um pedaço
de pão com requeijão e aproveitamos para dar partida numa viagem só nossa. Partimos
da gota para o mar, do mar para nosso próprio coração, sentindo-nos cada vez
mais inteiros nesse mundo, mundo, vasto e imenso mundo, mais vasto ainda quando
estamos acompanhados por chás, blocos de notas, uma máquina de escrever antiga ou
um simples equipamento modernológico como o tal do computador. Vai uma caneca aí... Ou uma caneta?
Ps.: Se não houvessem os chás, talvez as noites fossem diferentes, talvez não houvessem tantos sonhos, nem tantos desejos.
sábado, 25 de julho de 2015
Dos poemas de julho
- Silêncio, cadê você?
- Aqui, vim buscar sua voz pra mim.
E quando não havia mais voz
E quando só havia silêncio
Ela se silenciava dormindo quase em pé
Com as Mulheres de Galeano nas mãos...
São apenas as Noites.
Ps.: The Strokes said You only live once.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
De par em ÍmPar.
Ao que ele escrevia
Parou de escrever
O que ele não leria
Parou de leiloar
Parou para replantar
Em outros mares
Parou para fazer brotar
Parou de fazer horta
Para ele
Parou de fazer torta
E de fazer questão.
Parou de ser seu par
Par
Ou
Ím
Par.
Ps.: "I'd never sing of love
If it does not exist".
Keeping a comfortable
distance.
Assinar:
Postagens (Atom)





