segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Brincando com a realidade

Outro dia o ladrão entrou aqui e tratou de querer roubar. Levou a paz, deixou as jóias. As memórias ele escondeu. E também a solidão. Ficamos até amigos, mas ele quis roubar, além dos pertences, o meu coração. Foi quando percebi que o ladrão não foi mau, mal percebeu que eu amo você (e só e .) e deu um jeito de deixar a casa e a nossa caixa, com tudo nela que representa o que vivemos, até aquele dinheiro que você pediu para eu guardar para a viagem, acredita? O ladrão tentou e até que tentou bem, mas nunca conseguiria roubAr meu Ar e meu <3, porque já eram seus. Only yours because "I carry your heART w/ me, I carry it in my HeArT", I swear, even though it's not necessary!


Sua tecla Sol

E do menor acorde fez um dissonante nó. E o ensolarado tratou de nublar. Agora não importa mais tempo algum. Ela é amor demais. Ele nunca foi amor por mim, disse ela e complementou dizendo: Eu achei que você tivesse se esquecido de mim. Então tratei de esquecer também. Eis que termina assim o compasso.

Ps.: "Onde não puderes amar não te demores". Frida


domingo, 28 de julho de 2013

Entre insônias e entrelinhas

Eu disse que não consigo, mas quero. Decifrar-te. Em insônia, com você em meus pensamentos, em noites mal dormidas. Nas minhas idas e vindas sem você ainda. Quero sua boca que cala e seu sorriso que abala meu juízo. Quero te decifrar em cada rabisco no seu corpo, em cada beijo seu. Quero cada entrelinha sua. Do seu pensamento, cada linha não lida, cada queda, cada recaída e, de quebra, quero poder cantar para você e dizer ao pé do ouvido o que ainda será lido sobre nós.



Adeus à melodia...

Eu fugi da rotina, enquanto minha retina projetava imagens tristes por eu não te ter comigo. Lágrimas povoavam minha visão, enquanto meu coração chorava. Escrevi para aliviar a alma e alimentar uma calma que já não me pertencia mais. Era você quem roubava meus pensamentos naquela hora. E sem demora me carregava para bailar, mesmo sem ser meu par, mesmo sem saber dançar. Porque sou uma romântica que queria estar cantando no seu ouvido, em dó sustenido, e te encantando [...] era uma noite de lua cheia que insinuava música. Naquele momento, ela não queria nem o jazz que haviam escutado, nem uma bossa lado a lado, mas prosa e amor. Sem pensar, foram parar em um bar. Os lares estavam calmos e os olhares agitados, mas o mar permanecia em silencio, iluminado pela claridade da lua cheia naquele céu. Um véu encobria seus pensamentos, tomados pelos mistérios dos meses seguintes. E ela ensaiava um adeus à noite e àquela melodia, enquanto adormecia.




Flores da primavera.

E, tendo lido tais palavras, naquela noite fria de inverno, em que a lua, tão alva e cheia, clareia e embeleza o céu, ela guardava seu anel para o coração mais fiel que pudesse encontrar. Enquanto seus pensamentos mais sérios estavam preenchidos de mistérios, seus sonhos mais tristonhos haviam sido embrulhados e suas vontades aguardavam as flores da primavera.


Cartas ao mar.

 Antes de dormir, descanse suas preocupações mais singelas nos ombros da amada bela. Em um barco a vela, no dia seguinte, encoste a cabeça dela no seu peito e perceba o carinho que ela guarda em seu íntimo e que o aguarda em breve. Releve as discussões ilhadas e perca de vista ilusões naufragadas. Guarde as gargalhadas mais sinceras dela e prenda as músicas mais tristes da vitrola naquela gaiola distante. Deixe os desejos antigos no pomar, junte as cartas sem sentido e atire ao mar, ou coloque em uma mala e permita que naufrague num rio qualquer. Pense na mulher que rouba seus sorrisos bobos e seu pensamento e em como seriam suas risadas e olhares sem os dela. Na janela, jogue as recordações mais empoeiradas fora. Diga-lhe que se lembra, minuciosamente, do dia em que se conheceram. Comece a colorir a vontade de vê-la em um leve papel para que, neste imenso céu, os pássaros brancos dos sonhos dela possam voar quando se reencontrarem. Lembre-se daquele cabelo liso encostando, de modo impreciso, na sua barba, mesmo se estiver ligeiramente molhado de chuva. Permita que ela durma com as suas camisetas de banda e, de forma branda, deixe o cheiro natural dela na sua roupa e pele. Revele em pensamentos as fotos que tiraram juntos em viagens que ainda farão. Roube dela a solidão e embrulhe a sua falta de jeito. Roube também aquela voz só para cantar enquanto você sonha. Pinte sua fronha com a felicidade que há naquele rosto e deixe que cada desgosto se pulverize em canções e equações de amor. Antes que ela vá embora, olhe para sua face e, sem disfarce, diga o quanto quer cada detalhe daquela mulher. Deixe que a poesia seja seu guia enquanto revela seus sentimentos àquela que deseja. Neste instante, perceba que seu semblante revela também o quanto ela aguardou por aquilo e o quanto seu coração faria por aquele beijo. 


Idas e vindas

Naquele dia nublado e frio, senti o profundo vazio de te ver partir ao acordar. Levantou-se e, com tamanha frieza, juntou as roupas sobre a mesa e fez a mala. Enquanto, na sala, eu te observava ir embora. Livros e vinis ficaram e oito meses se passaram. A casa, os chás, os cafés, as xícaras e os discos sentiam sua falta. O meu olhar demorado, agora amedrontado, receava sua constante presença longe de mim. O meu aflito sorriso dizia que era preciso permanecer bem. Meu rosto era desgosto e saudade e eu respirava vontade de ver você voltar. No quarto, o som havia mudado o tom, ocultando as notas mais sonoras. E as horas demoravam a passar. Até as aquarelas mais belas, com temor, haviam perdido a cor. E o Sol, agora bemol, cantava a tristeza. Até o travesseiro sentia falta do seu cheiro. As dúvidas me acompanhavam enquanto eu adormecia com aquelas palavras e canções. Eis que por um momento meu pensamento se volta à realidade. A saudade chega ao fim com você perto de mim e os esclarecimentos. Quando, entre contos e reencontros, explica-me, com zelo, que aquilo era apenas pesadelo.