Um dia a gente percebe (e aprende)
que as pessoas que reclamam pela falta de amigos não o fazem à toa. Manter
laços nem sempre é tão simples, mas necessário. Um dia a gente percebe (e
aprende, e agradece, e deseja) que todos tenham sorte em relação às amizades de
longa data, de alma, de fraternidade e de outros tantos. A gente percebe (e
aprende) que não bastam as opiniões da mãe, do pai, dos irmãos, da avó, da titia, do
papagaio, do cachorro, do gato se isso não tiver um filtro próprio amorosamente
calibrado, para que a opinião alheia em excesso não anule a da própria pessoa.
A gente percebe (e aprende), por vezes, que precisa se afastar de determinados
amores, afetos, amoras, abraços e amizades para que floresçam ainda mais belos no
futuro e que, se não florescerem, isso não é o fim, mas um indício de que o melhor foi o
afastamento, então. Aprende-se que isso serve inclusive para a família, em
determinados momentos, e que a espaçada distância não significa amor de menos,
mas a manutenção de um respeitoso sentimento, ainda que contando com uma certa
distância que preserve a saudade e que torne saudável um convívio mais próximo.
Por fim, a gente acredita em ideias das quais desacreditava por ainda não ter conhecimento suficiente (ou vice-versa;
verso e vice); então, a gente bate o martelo (agora segundamente), e começa a
aprender sobre a melhor forma de bater o martelo e de repensar, no presente,
sobre (a importância d)o passado, ao mesmo tempo em que deixa o passado lá
mesmo (entre reconsiderações presentes de/) para um futuro com tempo, espaço, espelho,
escolha, local, imaginação ainda inéditos. Então, a gente agradece pelos frutos
plantados, agradece por perceber que já começou a nadar, mas reconhece que ainda
há muito pelo oceano a nadar. Reconhece que, mesmo que haja uma tampa para cada
panela, às vezes é necessária a falta de tampa. Reconhece que não, não devemos
subestimar a força de um novo aroma ou de uma amizade repaginada. Reconhece que
quem faz do limão limonada vive mais leve e com um sorriso no rosto, ou vários
deles, sempre que possível. E ai? Vai de limão, laranja, chá, chuva ou chuvisco?











