quinta-feira, 23 de julho de 2015

De par em ÍmPar.

Parou de responder
Ao que ele escrevia
Parou de escrever
O que ele não leria
Parou de leiloar
Parou para replantar
Em outros mares
Parou para fazer brotar
Parou de fazer horta
Para ele
Parou de fazer torta 
E de fazer questão.
Parou de ser seu par
Par
Ou
Ím
Par.

Ps.: "I'd never sing of love
If it does not exist".




Keeping a comfortable distance.

domingo, 19 de julho de 2015

Se fosse, seria.

Se eu pudesse descrever o que não sinto por você, diria que é o que poderia ter sido. Se eu pudesse ao menos dizer o que poderia ter sido, diria que foi expectativa ou uma ausência presente, um tanto quanto contraditório, mas real. Se eu pudesse ser mais sincera ainda, diria que não foi paixão, nem amor, mas algo ao menos próximo à amizade, pois a vida brinca e nos coloca próximos, embora distantes.

Se eu pudesse escolher uma música para descrever um pouco a situação, não seria “Preciso dizer que te amo”, mas “Eu me lembro”. Se eu precisasse falar de paixão ou amizade, escolheria falar de amor. Se eu pudesse falar de amor com você, escolheria falar das cores e frutas que o compõe. Oras, se o amor fosse uma cor, de cor, poderia ser descrito como azul, pela calmaria que há em seu fundo, como o fundo de um mar cheio de peixes, alguns solitários, outros nem tanto, outros tendo a solidão como defesa. Se o amor fosse uma fruta, seria uva, da qual se fazem vinhos amorosos, vinhos maravilhosos viriam das vinícolas do lado de lá. Ou seriam morangos, tão vermelhos quanto a cor da paixão, que por vezes se mistura com o que há de belo no amor? Se o amor fosse uma construção, com sua delicadeza, seria uma mistura de estilos, como uma casinha simples ou um imponente castelo, como conjugados amor e paixão, antigo e moderno, romantismo ou não. Se o amor fosse uma mudança, seria como o tempo, vagaroso e respeitável. 

Se eu pudesse dizer ao amor do que ele precisa, diria que é necessário dar ao amor tempo, assim como água, assim como se rega plantas e se alimenta o tempo, assim como dar tempo ao tempo e tempo e água às flores para que se desenvolvam. Se o amor fosse a minha pessoa, eu seria também o amor, seria tudo o que há na poesia, seria tudo o que o universo cria, no que cria o coração. Se o amor fosse canção, você ou nós, seríamos amor, amantes ou somente amáveis músicas. Se não fôssemos nós, sem amor, nada seríamos, não tocaríamos, nem cantaríamos como sereias. Se o amor fosse o próprio amor, eu não criaria algo inexistente, eu não creria que amar é tão difícil nem tão fácil quanto um verbo de quatro letras no infinitivo, tal como doar, doer e inclusive amar, pois só entende do amor quem ama e permite ser amado, pois só entende do amor quem busca dar e receber. E, por tudo o que há de mais belo a dois, a sós, no ímpar e no par, um a um, dois a dois, se o amor fosse o próprio amor, sem amor eu nada seria, eu nadaria sereia, não seria humana, seria só, só andaria, assim e para sempre.





segunda-feira, 6 de julho de 2015

Autoescrita: Si Bemol... Ou Sustenido.

E tendo visto
Aquele filme;
Tendo lido
Aquele livro lindo;
Tendo escutado
Aquele som
Agradável
ela quis escrever novamente.


Para si,
Para si,
Para
Si
Pára. Pausa. Procede...

Si
  Si
    Si
Be
Mol
      Si
Bemol.
      Si.
Bemol
       Ou
        Sustenido.



sexta-feira, 19 de junho de 2015

De peixinhos e passarinhos que sonham além.

Um peixinho era sonhador
E sonhava muito e tão parecido comigo
Era que acabou sonhando muito meu próprio sonho.
Por excesso de compatibilidade.

O outro nao me permitia sonhar 
Como eu queria. Permaneceu, pois, 
Em outra companhia; em outro aquário...
Não no meu mar; nao no meu lar.

Por falta de compatibilidade, o excesso da falta. 
E de excesso em excesso os peixes vão nadando.
Nos mares, com suas barbatanas, com suas escamas.

Seguindo diversas direções pelo equilíbrio de seus movimentos lentos
Seguindo canções marítmas; Ritmos, harmonias e melodias diversas. 
E tentando EquilibrAr As notAs.



Equilibrar As notAs, as dançAs, a magia de suas criançAs... dos peixinhos.
Filhos de peixe... são.
Nós, os humanos,
Que não somos Peixinhos de Drummond 
Que não saímos de sua lira
Que não somos passarinhos de Quintana
Que somos um pouquinho de toda a natureza
Vivemos a equilibrar passarinhos e excessos humanos,
Inclusive os nossos,
Inclusive excessos e desejos.
Além de cada limão atirado na água da lira,
EquilibrAMAMos a vida; 
Equilibra-mo-nos ao amar a vida tentando fazer, do limão atirado, uma deliciosa limonada; Como bêbado e equilibrista, como a arte expressa toda sua diversidade; Como a ciência. Como a voz da Elis. Como receitas que utilizamos, aos quais cada peixe responde de forma singular, com variedade enorme de formas.  

domingo, 7 de junho de 2015

Pretérito Perfeito Idealizado por Mistérios

Ela pronta. Ele a encontra. 
Ele se aproxima. Ela Rima.
Ela sorRia; só ria.
Alegre ia; alegria, alegria.

Ele sério, mistério; Ela quente, é gente;
Ele frio, arrepio; Ela perto, certo? 
Era ela perto, era?
Ou era ele? 
Ele não.
Era.

Então, era mistério eeeeeeEeeLa...
Lá seguiu... Por si Só. Por si Sol. Parou de seguir tanto passado, um pretérito perfeito que parecia mais perfeito ainda quando idealizado. Ela lá seguiu, rumo ao passar de passos , ComPassos, passados e pensamentos, transitando por passado, mas ainda mais por presente e futuro. Todos tão presentes como ecos da memória até do que há de vir. Secos, os dois, seguiam. SEcos, cegos e até um tanto quanto solitários.







sexta-feira, 5 de junho de 2015

In Between Dreams. À Lua, entre sonhos e sonetos.

Não é minha A Lua, é meia esta Lua que vejo e além disso. Até sendo meia, cheia ou incompleta, sendo astro celeste ela ja o é. Crescente, pois alta brilha e busca além, sempre. Só, além, SolZinha, ela, Lua, já basta. É ar e também pode solar... Como quiser ser, é. Solar em seu lar ou no mar. Céu, mar ou Beijo-azulZinho, união de cores de ambos.

E só de ser, basta-se, a Lua iluminada... A iluminar a água à noite. Mesmo se fosse em sua outra fase; mesmo se fosse pronunciada em conjunto com pronomes possessivos, minha, nossa, assim ou assado; mesmo se fosse de um ou de outro, eu não ousaria dizer que eu lhe dei ou lhe daria esta beleza Celeste, porque não é assim que desejamos os corpos, não funciona assim. Nem minha, nem sua, estamos nela e até demoramos a esbarrar por lá. Dito isto, nem minha, nem sua, é dela própria, nao importa a fase em que se encontra! 

Nao é nossa, mas la nos encontramos, algum dia em um ciclo, crescente e sem tantos sinais de pontuação, vírgulas e vírgulas e virgulas e... , , este escrito, como a Lua, molha-me, ilumina-me, olha-me e é de coração para você. De longe mesmo, como um beijo assoprado que pode ou não ser recebido do outro lado de um lar... Assinado: admirador lunar.







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Um bom ponto de encontro, conto-lhe agora. Até breve.

Certa vez, Clarissa confessou à amiga alguns pequenos detalhes da vida, pensou naquela frase "e Kafka fez da arte sua reza" e começou a escrever, intensamente. O resultado de Clarissa não era tão exato, porque ela acreditava que a reza e a escrita não eram tão próximas da matemática quanto a música.

Clarissa é daquelas que comemora a vida! Brinda cada motiVinho, cada motivo mínimo, ideia mínima, Formato Mínimo e realmente aprecia a simplicidade da vida em suas nuances por vezes complexas. Dito isso, Clarissa comemorou até o ingresso do tal dos óculos no seu rosto e agora eles fazem parte dela (Ênfase em fazem parte, porque ela se sente partida quando partem, os óculos).

Quando pequena, o acetato não caía bem em Clarissa. Quando adolescente, apaixonou-se pelo acetato na face em forma de óculos. Ademais, às vezes, faltava um certo cuidado dela para com seu querido “óculos de jornalista”. Pela armação não resistir à troca do grau das lentes, de tempos em tempos (cerca de 3 ou 4 anos), era preciso trocá-las. Daí era só saudade, um tanto quanto triste até que ela se adaptasse aos novos óculos. Apegava-se aos antigos e aos amigos também. 

Clarissa buscava muito além de cativar os amigos e de criar laços... <3 Isso mesmo, laços, não nós atados. Buscava manter os belos laços que fazia a partir de fitas coloridas. Mas era necessário abandoná-los; laços e óculos; às vezes, para não quebrar ou desfazer preciosidades antigas. Embora não quebrasse nem estragasse óculos para aumentar os graus das lentes, enxergar melhor e beneficiar sua própria visão, sentia-se partida ao precisar partir sem eles. Sem óculos antigos, parte dela era saudade, partida, parte Ida... 

Como uma flor que havia perdido uma pétala ou algumas delas. Como um mar de saudade com parte da água evaporada e saudade do que foi um processo natural num ciclo de águas... Como uma geleira, um grande glaciar com partes descongelando, como ocorre, naturalmente com a mudança de temperatura. Ah, o tempo... Ele desgasta ciclos; sentimentos; sons; flores; ocorridas dores; diversas cores e até os óculos, então, é preciso deixá-los para a vinda de novos. 

Ou o tempo até resgata os sons, sentimentos e ciclos, mas é preciso dar tempo ao tempo ou abandonar óculos outrora queridos para aceitar que os passados passam como passarinhos que voam. Voam porque é lindo voar e passarinhos podem, pois possuem asas, inclusive, de modo que não somente podem voar, como merecem fazê-lo! 

E o mais lindo era vê-los voar quando percebido que podiam voar. Era triste a partida, a parte ida, mas era ida e pronto. Ponto final. Ponto final não é vírgula, não é interrogação, explanação, exclamação, nem reticências [...]. Não são sinais de pontuação que Clarissa buscava colocar quando não era possível, muito menos uma eterna reticência de querer óculos cuja armação já não cabia mais no rosto. 

Ponto final é final e final pode ser parada ou ida. Clarissa preferia acreditar em ida. E ida é ida, ou seja, foi; ficou no passado. Assim, foram-se, um a um, dois a dois. Assim, fazia-se necessário aceitar que a vida vai passando com o passar dos passarinhos e, de tempos em tempos, em ComPassos com o som da praia; dos peixes no mar; das ondas; das conchas; das tartarugas mais belas de projetos; das estrelas do mar ou até das do Céu. 

Até que há um ponto de encontro um tanto quanto infinito, embora ido. Um ponto de encontro em que óculos possam se encontrar ou, ao menos, esbarrar-se. Nesse ponto; entre a arte e a ciência; entre Sol, Lá e Si; lá, uma lente diz: -Oi, sempre te vejo por aqui, como vai? -Vou bem, muito bem. Vou-me da redoma. Estou de mudança. E a outra lente responde: -Vou me mudar também, estou também nesse processo. Vemo-nos por lá, então? 

E foram caminhando, cada lente para um lado, distantes, porém um pouco próximos. Clarissa estava ao som de "Of Monsters and Men, My Head is an Animal, the Full Album", mas repetia especialmente Little Talks, Slow and Steady e Yellow Light. <3